Pequeno provedor X grande operadora: como concorrer?

Pequeno provedor X grande operadora: como concorrer?

Em um mercado de capital intensivo, políticas públicas para financiamento de pequenos empreendimentos é fundamental para garantir a sobrevivência dos ISPs.

 

Apesar da maior parte dos acessos banda larga existentes no Brasil serem providos por grandes operadoras de telefonia fixa ou de TV por assinatura, elas não são os únicas a oferecerem estes serviços ao mercado. Além destas, existem cerca de 3,8 mil outros provedores de acesso banda larga no Brasil (dados da ), atendendo mercados onde as grandes operadoras nem sempre estão presentes. De acordo com a Teleco, esse número corresponde a 9% das conexões de alta velocidade no país.

Entretanto, com o aumento da concorrência entre as grandes operadoras, elas estão também investindo em fora das grandes cidadeAnatels, indo para locais remotos e cidades do interior. Com isso, os provedores passam a competir, e cada vez mais, diretamente com os grandes players – embora ainda haja muita demanda não atendida em todo o país.

Os provedores são empreendedores natos, são uma espécie de bandeirantes modernos, que interiorizaram a internet banda larga no Brasil. Eles possuem imensos desafios em seu crescimento, muitas vezes com carência de recursos para investimento e capital de giro, dado que a atuação no setor exige investimento de capital intensivo. Caracterizam-se, também, por possuirem um grande conhecimento técnico, com predisposição a iniciar suas atividades em regiões remotas – embora atualmente já se confrontem na arena competitiva com grandes players.

Deste modo, o governo precisa compreender que os provedores foram e serão de suma importância para a universalização da banda larga no Brasil e para incentivar a competição no setor. É necessário criar meios de investimentos adequados para o segmento, já que, no momento, as condições dos provedores são mais desafiadoras e ainda não se tem sem uma política governamental de incentivo adequada e favorável, assimétrica. Devemos aprender com o passado, quando, pela falta de fomento adequado, as ditas “ espelhinhos” nem chegaram a sair do papel, por completa inanição.

Pelo lado dos provedores e sua sustentabilidade, a saída é a personalização cada vez maior dos serviços, o que já vem ocorrendo. Os pequenos provedores brasileiros criaram um modelo de negócio único no mundo, um atendimento personalizado, face a face, com uma dinâmica diferente dos operadores tradicionais. É preciso buscar cada vez mais essa customização para seus clientes, aumentar a capilaridade, migrar suas redes para tecnologias mais avançadas (fibra óptica, principalmente) e diversificar a oferta de novos serviços, principalmente com a inclusão de voz e TV por assinatura. Ao maximizar a utilização da estrutura da rede com ofertas quad-play, exige-se a construção de bons projetos, com tecnologias que garantam o futuro e suportem “mais sobre o mesmo tubo”.

Não é simples levar em conta todos estes elementos e ainda fidelizar um cliente cada vez mais assediado por ofertas múltiplas (Combo) e uma dinâmica de preços mais atrativa para os clientes finais. Manter-se neste mercado requer, acima de tudo, capital intensivo e, aí é que está o ponto em que o governo – com políticas adequadas para o setor – precisa corresponder e cooperar, incentivando este importante segmento. Até aqui, os provedores foram heróis solitários.

João Francisco dos Santos é presidente da Cianet